Coalizão contra Cristo
Incoerências e contradições
comTEXTO
A luta pela liberdade nem sempre progrediu em linha reta. Muitos líderes protestantes, por exemplo, que se libertaram da autoridade opressiva de Roma desenvolveram suas próprias políticas severas em relação aos dissidentes, tornando-se efetivamente eles próprios opressores.
Em seus escritos iniciais, Martinho Lutero vislumbrou a Igreja como um grupo voluntário de cristãos e ficou extremamente preocupado com as pessoas que queriam aterrorizar as igrejas católicas e remover à força as suas imagens. No entanto, quando alguns dos príncipes alemães transferiram o apoio do Estado do catolicismo romano para o luteranismo, Lutero adotou o poder do Estado e o usou para lidar com o que acreditava serem ameaças religiosas, como os anabatistas.
Embora tivesse muito em comum com esse grupo de protestantes, que se formou na mesma época do luteranismo, ele os via como heréticos e blasfemos, acreditando que deveriam ser banidos da Alemanha ou condenados à morte. A única coisa em que os príncipes católicos e luteranos concordaram na Dieta de Espira de 1529 foi que os anabatistas não podiam ser tolerados na Alemanha. Muitos anabatistas morreram nas mãos de luteranos e católicos nos anos seguintes. Os ensinamentos de Lutero libertaram muitas pessoas do cativeiro da superstição e do controle de Roma, mas o próprio Lutero teve dificuldade em deixar para trás os métodos e o espírito de sua época.
Os anabatistas sempre acreditaram que a fé só pode ser voluntária. Por essa razão, eles se mantiveram firmes em crenças como o batismo de adultos (em vez do batismo infantil), a liberdade de consciência e a separação entre Igreja e Estado — ensinamentos que hoje são comuns, mas que eram bastante radicais na época. Ironicamente, os anabatistas aplicaram os princípios de Lutero de forma mais coerente e legítima do que a Igreja Luterana. Hoje devemos examinar nossa vida para evitar quaisquer incoerências e contradições que possam desacreditar nossa mensagem.
Mergulhe + fundo
Leia, de Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, capítulo 77: “Na Sala de Julgamento de Pilatos”.
